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quarta-feira, 6 de maio de 2015

TUDO BEM SENTIR DOR DE COTOVELO


É normal sentir aquele aperto no peito ao rever alguém que ficou pra trás e perceber que essa pessoa pode ser feliz independente de estar ou não ao seu lado. Li por aí que nós temos, às vezes, a errada impressão de que somos insubstituíveis e que as coisas vão parar no tempo sem nossa presença. Não percebemos, muitas vezes, que o mundo, a vida das pessoas e o evoluir das coisas não giram em torno do nosso insignificante umbigo. Tudo bem, eu também me sinto assim, de vez em quando. Não é nada demais sentir a cabeça formigando ao ver a foto dos EXs - namorados, amigos, peguetes, colegas e afins - com um sorriso estampado ao lado de alguém que não seja você, ou até mesmo sozinhos. 

Acho que todo mundo experimenta a dor de cotovelo pelo menos uma vez na vida, às vezes as pessoas só não querem admitir ou reconhecer o sentimento. Só não dá pra se martirizar cada vez que essa sensação aparecer. Decisões e escolhas fazem parte do crescimento e aprendizado de uma pessoa. Se, um dia, você sentiu a necessidade de seguir um caminho diferente de alguém, é porque essa mudança realmente era necessária para que você chegasse aonde está. Se, por outro lado, alguém escolheu te abandonar na caminhada, isso mostra que sua companhia não seria agradável, de qualquer forma, porque como seria possível fazer esse trajeto tão cansativo que é a vida, ao lado de alguém que simplesmente não quer estar ali? Não dá pra culpá-lo, também, por querer conhecer outras estradas. E ainda, se a própria vida impôs a vocês caminhos diferentes, o que resta é levar consigo as melhores lembranças guardadas com carinho dentro do baú mais seguro - o coração. Assim como a vida separa, um dia ela pode fazer caminhos se cruzarem novamente.

terça-feira, 14 de abril de 2015

O ASSALTO


Eles chegaram juntos com máscaras no rosto mas consegui reconhecê-los. Um era o Medo, velho conhecido meu que costumava ser um amigo íntimo num passado não muito distante. O outro era a Desconfiança, a quem fui apresentada há pouco tempo, depois de tanto me decepcionar com as pessoas com quem convivia. Não sei como eles se conheceram, mas imagino que o Medo tenha se revoltado - depois que me afastei quando conheci a Coragem - e se aliado à Desconfiança em algum plano vingativo.

Eu estava sozinha numa noite de inverno. Os flocos de neve começavam a cair, deixando as ruas brancas sob a Lua num contraste intenso com o céu negro. A dupla mascarada me abordou e me rendeu. Diante do seu pedido, as lágrimas inundaram meu rosto num ato de desespero. 

Eu daria tudo que pedissem. O carro, ainda com várias prestações pendentes, a casa, a senha da poupança. Daria minhas joias e meu porquinho, onde juntei todas as minhas moedas por um ano inteiro. Daria minhas roupas e meus sapatos de grife. Mas eles não queriam nada disso. Eles queriam meu bem mais valioso naquele momento da vida: minha Fé. Mas sem ela, nada mais faria sentido. A Fé era a razão pela qual eu ainda não havia desistido de mim nem da humanidade.  

sexta-feira, 10 de abril de 2015

CHEGA DE POBREZA!


É isso mesmo! Agora só me envolvo se o cara for rico! Chega de pobreza de espírito e de pensamento. Cansa demais gastar meu tempo e minhas lágrimas com quem se acomodou na escassez de sentimentos e na economia de palavras. Quero namorar alguém menos mão de vaca e que não se importe em jogar conversa fora. Quero ter ao meu lado alguém que curta gastar algumas horas rindo de tudo - ou de nada -, e que me faça sorrir quando o mau humor ameaçar me invadir. 

Agora só permanece em minha vida quem não resista a uma nova aventura, sendo ela numa trilha na mata ou entre as panelas da cozinha, testando uma receita maluca. Não há mais espaço aqui para quem não se deixa ser preenchido com tesouros como amizade e companheirismo. Já não dedicarei meu esforço a alguém que se entregou à monotonia - e veja que com isso não me refiro à rotina de trabalho e afazeres, já que como adultos infelizmente temos que nos submeter a ela - e à mesmice de relacionamentos vazios, incolores e insossos, inclusive consigo mesmo.

Pensando bem, posso abrir uma exceção para os esforçados, que trabalham todos os dias tentando buscar em si e na vida recursos para se sustentar de leveza, fidelidade, esperança e vontade. Não me importa se tenha medo, este sentimento só não pode ser o guia dos demais. Não busco perfeição, se é o que você pensa ao ler minhas palavras. Ao invés disso, agora procuro os imperfeitos que reconhecem seus defeitos e buscam ser alguém melhor, assim como eu. E se você pensou em dinheiro no começo, deixo aqui um lembrete, que vale inclusive e principalmente pra mim: o dinheiro compra o carro, as joias e os perfumes importados, mas só o caráter e a força de vontade nos presenteiam com carinho, amizade e respeito, bens eternos e incorruptíveis.

terça-feira, 7 de abril de 2015

SOBRE O FUTURO

Via Society6
"O que você quer ser quando crescer?", me vi perguntando para minha prima de 5 anos. "Médica dos dentes", ela me respondeu. A família vibrou positivamente, exceto seu pai, que não quer ver os filhos indo estudar fora enquanto podem escolher qualquer curso existente na própria cidade em que eles moram. Um tempo depois algo começou a martelar em minha cabeça: ensinamos nossas crianças a tomarem decisões e a traçarem caminhos a serem percorridos pelo resto de sua vida. No colegial, adolescentes sofrem na tentativa de escolher uma profissão. Os critérios são muitos, e a pressão de professores, pais e amigos é grande. Eu passei por isso e vi muitos colegas na mesma situação. Ouvi, um dia, alguém dizer que precisava escolher logo, porque os pais não aceitariam que ela ficasse parada após o fim do ensino médio. Mas hoje me pergunto como podemos colocar sobre seres tão inexperientes a responsabilidade da escolha do 'para sempre'. Como eles podem saber o que os fará felizes sem experimentarem antes? 

Quando criança, eu queria ser cientista. É claro que sei que muitas profissões abrem portas para a área da pesquisa, mas naquela época ser cientista pra mim era observar animais e estudar plantas. Mas eu também amava escrever e depois de um tempo descobri que gostava de desenhar e pintar também.  Entre a infância e a época de vestibulares, pensei em ser jornalista, bióloga, cantora - sim, que menina nunca sonhou em ser uma estrela? -, mas no fim das contas acabei optando por Engenharia Ambiental, que aos poucos tem me mostrado que o curso não é nada daquilo que eu imaginava e ainda assim tem me despertado muito interesse. Apesar disso, voltei a escrever e a arte voltou a bater à minha porta.

A minha pergunta é: como podemos exigir que os jovens escolham apenas um caminho para o sucesso, quando a felicidade pode estar presente em tantos desvios? A minha priminha pode mudar de ideia quanto a profissão que quer exercer. Ela pode escolher ser acrobata, dançarina, professora, engenheira ou dentista mesmo. Ela pode ser médica e escrever um livro de romance nas horas vagas. Pode seguir carreira militar e ser pintora ao mesmo tempo. Ela pode ser o que quiser e nós também. 
Para o meu futuro eu quero sucesso, mas sucesso pode significar muita coisa. Se o que eu estiver fazendo me fizer sorrir, se mesmo sendo cansativo me fizer acordar todos os dias bem disposta, então saberei que sou bem sucedida, ainda que a minha conta bancária não esteja tão recheada. 

terça-feira, 31 de março de 2015

OS OLHOS DE UMA CRIANÇA

Oie!
Navegando na internet acabei vendo no Addictable um vídeo que me fez refletir e chorar (sim, sou muito emotiva!). 
Um projeto da Noémi Association tem o objetivo de fazer a sociedade ver os portadores de deficiência com outros olhos.
"A Noémi Association quer mudar a forma como a sociedade olha para as pessoas com deficiências múltiplas. Sua missão? Melhorar suas vidas diárias. A associação quer que a gente olhe para essas pessoas de uma forma positiva respeite a sua dignidade, ao trazer-lhes alegria e felicidade.", diz a descrição do vídeo.
Quantas vezes, mesmo sem querer, tratamos com diferença as pessoas que tem algum tipo de deficiência, não é mesmo? Este vídeo é uma ótima forma de nos fazer parar, pensar em como temos agido e começar a fazer diferente, para que possamos ser agentes de mudança da nossa comunidade. Afinal, somos iguais nas nossas diferenças.

                    

E vocês, o que acharam? Já haviam visto o vídeo? Já estiveram em alguma situação na qual perceberam que não agiram corretamente? Me contem nos comentários!

sábado, 28 de março de 2015

OLHOS NO MAR, CABEÇA NAS NUVENS

Via Pinterest

Fechei meus olhos e esvaziei a mente. Tudo em que eu podia pensar naquele momento era na brisa fresca que tocava meu rosto. Eu sempre me sentia assim quando estava de frente para o mar. O som das ondas me fez viajar para longe e ao olhar para baixo, me senti subindo. Levantei vôo e vi.
Eu vi as crianças brincando na calçada de casa, sem se preocuparem com a violência ou com carros sem freio que poderiam fazer com que a brincadeira acabasse em tragédia; vi um homem correndo e acenando, tentando fazer com que o motorista do coletivo parasse para que ele pudesse, então, seguir em direção ao trabalho; vi uma mãe que levava duas crianças pela mão, atravessando a rua da creche do bairro; vi um casal que discutia algo que não pude ouvir, mas que imaginei ser bem ruim pela feição dos dois; vi um maltrapilho segurando uma placa enquanto era ignorado por quem passava; vi, bem perto do maltrapilho, um jovem tocando violino e atraindo a atenção de várias pessoas;  vi uma senhora sendo assaltada por uma criança que saiu correndo mas logo foi pega por um policial que estava na esquina; vi uma caminhada fúnebre; vi dois velhinhos sentados no banco da praça trocando carícias; vi um casamento na beira do mar, e os noivos sorrindo e se beijando logo após a troca das alianças. Eu vi muita gente, assisti a muitas histórias. Me vi sorrir e chorar várias vezes.
Voltei a mim mesma, com o mar como vista, com o canto dos pássaros como trilha sonora e percebi que, por mais que eu saiba sobre a vida e sobre as pessoas, nunca saberei o suficiente. E nunca acreditei tanto que cada um sabe da dor e da delícia de ser quem é e de viver a vida que vive.


terça-feira, 24 de março de 2015

NADA MUDA SE VOCÊ NÃO MUDAR PRIMEIRO

Via Pinterest

Você quer que o novo mês traga consigo boas notícias, novas oportunidades, amigos mais fiéis, filas de banco menores, mais convites para ir à praia ou menos calor para que possa tomar um chocolate quente debaixo do cobertor, ao lado de alguém que também virá no ‘pacote’ – você acredita.

A cada folha arrancada do calendário, você espera que suas tristezas e medos sejam arrancados junto, e que levem consigo a preguiça de cumprir as promessas de correr todos os dias, começar aquela aula de pintura, visitar mais a família.

Sua esperança é que o mês que chega seja bom, que carregue mudanças até a porta da sua casa, que te pegue no colo e te leve até onde você quer estar. Mas há um detalhe do qual você se esquece, moça. Nada acontece se você não se mover. Um corpo em repouso tende a continuar em repouso, e mesmo que eventos exteriores te impulsionem, de nada adianta se você não continuar se movendo por vontade própria.

Você precisa escrever palavras novas nas folhas em branco com as quais a vida de presenteia. Este é o único e maior presente que o novo dia te dá: a oportunidade de fazer tudo do jeito que você quiser. E não existem regras gramaticais ou exigências: é permitido errar, rasurar, e sua letra não precisa ser redonda.Você só tem que ter em mente que não tem que cometer sempre os mesmos erros se eles te fazem retroceder, ou pode até errar sempre as mesmas coisas, se isso te faz feliz. Você só não pode esperar que as palavras sejam escritas por conta própria, ou que as folhas já venham preenchidas, ou, ainda, que mesmo escrevendo as mesmas coisas em todas as páginas, por um milagre a história se modifique.

Moça, nada muda se você não mudar primeiro. Nada se renova se você insiste em se agarrar ao velho. Coisas novas não farão morada em sua vida se você não joga fora as velhas, porque simplesmente não há espaço. É necessário que você faça uma faxina e lance fora tudo o que te impede de ser realmente feliz. Olhe as borboletas: elas abrem mão do que são e passam por uma mudança lenta, talvez dolorosa, para que, então, possam voar.

quarta-feira, 18 de março de 2015

MEDO DE VENCER

Via Pinterest
O professor tentava prosseguir com a aula enquanto os alunos davam suas opiniões, todos ao mesmo tempo. O barulho, para mim, não passava de ruídos como de um rádio sem sintonia. Eu estava perdida em meus pensamentos. Tudo estava acontecendo tão rápido que mal tive tempo de me adaptar à série de mudanças que estavam desembarcando em minha vida.

Como podemos sonhar tanto com algo mas ter medo quando o sonho está prestes a se tornar real? Talvez eu nunca tivesse realmente acreditado que o topo desta montanha estivesse ao meu alcance. Caminhei por estradas esburacadas, me aventurei em trilhas desconhecidas, desafiei as vozes pessimistas que chamavam meu nome em meio aos ecos das cavernas nas quais me abriguei nas noites chuvosas. E eram chuvas de medo, chuvas de descrença. A gotas que me tocavam molhavam as folhas nas quais eu escrevia minhas metas, na tentativa de borrar tudo o que a vida já havia escrito pra mim. Mas as tempestades nunca resistiam aos raios do sol que vinham trazendo a fé que me aquecia e me alimentava. 

Mas eu caminhava pensando que o topo estava ainda distante. Não era como se eu não acreditasse que um dia chegaria ao fim da linha, mas não achei que chegaria tão rápido. Agora vejo a linha de chegada à minha frente, enquanto todos os medos os quais enfrentei no trajeto me impedem de cruza-la. Preciso vencer essa corrida, onde a minha maior concorrente sou eu mesma. O que será que existe no fim deste arco-íris? Qual será o sabor da vitória?

Senti alguém me cutucar e de repente fui obrigada a voltar para aquela sala fria. Passei a lista de chamada para a frente enquanto imaginava se algum dia meu nome estaria gravado em alguma lista sagrada ou especial, na parede da minha alma, ao lado do meu troféu de vitoriosa. 

TEXTO ESCRITO NO MEIO DE UMA AULA DE ENGENHARIA ECONÔMICA, E INSPIRADO NAS PALAVRAS DA KELLY MATHIES, NO TEXTO [642 COISAS] ELA ERA LOUCA ASSIM, que me fez pensar em como sempre me perco nos meus pensamentos.

domingo, 8 de março de 2015

EU SOU FEITA DE SENTIMENTO, MOÇO.

Via Pinterest
Sabe, moço, eu não entendo muito de política. Se você me perguntar o que acho da atual crise brasileira ou da guerra nos países árabes, pouco terei a dizer a respeito. Não me orgulho disso, mas é a verdade pura e cristalina. Também não entendo de economia, e numa conversa sobre a cotação do dólar eu estaria mais perdida do que uma agulha no palheiro. Não sei dissertar sobre os malefícios que os alimentos transgênicos causam à saúde humana ou sobre como a falta d'água pode afetar o preço da energia ou dos alimentos que chegam à nossa mesa.
Eu não tenho muita cultura, moço, nem muito conhecimento técnico das coisas. Sei o que me dizem, escuto e guardo pra mim, porque não tenho propriedade para opinar.
Mas de um assunto eu tenho total domínio, sabe? Este assunto é o sentimento.
Amo como ninguém, sou puro amor, além da borda, até transbordar. Eu ando pelas ruas quentes aos quase 40 graus de calor brasileiro transpirando estas quatro letras. Eu amo a vida e a oportunidade de levantar todos os dias. Amo o crepúsculo que antecede o espetáculo da chegada da Lua, que observa do alto a cidade se aquietando. Amo como a vida é cheia de possibilidades e como reserva tantas surpresas. Eu amo quem escolheu entrar na minha vida e aqui permanecer, assim como amo, de certa forma, quem saiu, porque deixou uma marca em mim e levou uma consigo. E aos que escolheram ir sem dizer adeus, amo por terem me deixado mais leve para poder receber quem realmente queira ficar aqui.
Perdoe-me a repetição deste verbo já amassado, usado e banalizado. É que é dele que eu vivo, é dele que sou feita e é só dele que sei falar.

quinta-feira, 5 de março de 2015

UMA CARTA PARA DAQUI 10 ANOS

Via Pinterest


Vitória - ES
Quinta, 05 de março de 2015

Querida 'eu',


Como você está? 
Escrevo esta carta para saber se você conseguiu mesmo virar uma mulher bem sucedida e se, mesmo assim, tem a habilidade de dar o café da manhã à família e levar teus filhos à escola, enquanto se concentra na reunião importante do dia e planeja o jantar de aniversário de casamento. Você está feliz? Valeu a pena abrir mão dos feriados com teus pais na época da faculdade? E teu relacionamento com teus velhos genitores, como está? Você conseguiu dar a eles o orgulho que sempre quis dar?
Bruna, fico aqui me perguntando se você conseguiu viajar e conhecer os países que tanto desejava visitar. Você aprendeu a poupar dinheiro ou continuou sendo a consumista inconsequente de sempre? 
Você ainda consegue ser sensível o bastante para perceber a necessidade de quem está à sua volta? Fazer o bem ainda te faz bem? Seus amigos ainda te procuram para encontrar conselhos sábios ou é você que tem que recorrer a eles? Ou ainda, será que você tem amigos?
Vivo pensando em você, moça. Os meus dias são dedicados ao sucesso dos teus. Estou de cá, dando o meu melhor, esperando que você receba daí a felicidade. E saiba, Bruna, que independente das tuas respostas às minhas muitas perguntas, eu só quero te ver abrir um sorriso sincero e espero que teu coração esteja aquecido com o melhor agasalho que existe: o amor - principalmente o próprio.

Com amor,

Sua antiga 'eu'.


TEXTO PERTENCENTE AO TEMA DE BLOGAGEM COLETIVA DO GRUPO BLOGS UP NO FACEBOOK.

quarta-feira, 4 de março de 2015

TENHO MEDO DE SER ESQUECIDA

Via Flickr

Certo dia li que a forma mais eficiente de se imortalizar é através da mente das pessoas que nos amaram durante a vida. Digeri a frase por um tempo e senti um aperto no peito ao perceber que aquelas palavras me faziam lembrar de um grande medo que se tornou um companheiro de viagem.
Tenho amigas capazes de correr uma maratona se aparecerem com um ser rastejante em sua frente; outras, cujos olhos se enchem de lágrimas ao pensar que seus planos para o futuro possam ser frustrados. Mesmo que alguns animais pareçam perigosos e que não alcançar meus objetivos me assuste muito, não são esses meus maiores medos. 
Com o tempo e meu amadurecimento, percebi o quanto me deixava triste ver que algumas pessoas se afastaram de mim ou se ausentaram da minha vida. Não ler ou não ouvir um 'Senti sua falta!' fazia eu me sentir como se houvesse sido ESQUECIDA. E é isto que me dá pânico: eu tenho medo de não fazer falta, tenho medo de não deixar um buraco vazio quando eu me for, tenho medo de que quem eu amo não sinta vontade de me sentir por perto. 
E se eu for esquecida, não haverá uma forma de me tornar imortal, pois não haverá alguém que me ame o suficiente para se lembrar de mim.
Ter medo de ser esquecida, então, é ter medo de não ser amada?

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

SONHAR É VIVER!

Via Pinterest



Eu sempre fui movida a sonhos. Quando criança, sonhava com bonecas Barbie. Eu me lembro que, logo que aprendi a escrever,  minha mãe me deu um diário - que por sinal tinha a capa da minha tão desejada boneca - e nele eu não escrevia segredos, mas sim meus sonhos. Claro que na época eu não tinha sonhos tão grandiosos. Tudo que eu queria era ter algumas bonecas e casinhas onde elas pudessem morar. Fui crescendo e o sonho de ter bonecas foi substituído por outros infinitos sonhos: ter um aniversário surpresa, ser a namoradinha daquele menino da quinta série, cortar uma franja (sim, eu já sonhei com isso). Ao longo dos anos eu amadureci e meus sonhos também. Passei a sonhar em aprender inglês, ir pra faculdade, morar sozinha, conseguir um bom emprego, conhecer o mundo, aprender outros idiomas, ver a neve, aprender mais sobre fotografia.
Nem todos os meus sonhos se realizaram ainda, é claro. Ganhei uma Barbie, um aniversário surpresa, aprendi a me virar com o inglês, estou na faculdade e moro longe dos meus pais, mas ainda existem muitos sonhos adormecidos ou à espera de uma oportunidade para se tornarem reais. Eu sei que talvez nem todos sejam despertos do sono no qual se encontraram. O que quero dizer é que, mesmo sonhos às vezes impossíveis, mesmo os mais bobos aos olhos das pessoas, eles fazem parte de quem e do que somos. Meus sonhos são meus! São alimento pra minha alma e inspiração para as histórias que invento à noite, antes de dormir. Como, ao fim da vida, eu poderia me sentir vitoriosa se não tivesse ideais pelos quais lutar durante ela? Quem eu seria sem as faíscas que aquecem meu coração quando tudo que sinto é o frio do medo e da vontade desistir?
É claro que não posso viver de olhos vendados ignorando todas as responsabilidades que a vida adulta me impõe, tampouco posso ser alheia às dificuldades existentes entre onde estou e onde quero estar. No entanto, o combustível que me dá forças para não desistir nunca é o ingrediente mágico, escrito com garranchos nas primeiras páginas de um diário que a minha mãe nem imaginava que seria tão crucial na minha formação enquanto ser humano e na minha luta pela felicidade - ou será que ela, enquanto mãe, ser divino e guiado por Deus, já sabia  onde eu chegaria?
Sonhar me impulsiona e me dá vontade de viver!

E você, o que te move?

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

QUERO SER AMADA

Via Pintereast
Desde que me entendo por gente ouço dizerem por aí que vou encontrar minha cara metade.
Durante boa parte da minha vida eu acreditei nesta 'verdade' e por várias vezes, após fins de relacionamentos frustrados, me senti incompleta e magoada por não ter encontrado meu par ideal.
Vi muitos casais se formando ao meu redor e cheguei a crer que o problema fosse eu mesma. Algo em mim estava errado e por isso o amor ainda não havia me visitado. Talvez ele tivesse batido à porta e desistido de residir ali quando viu a bagunça na qual eu me encontrava. Talvez um dia aparecesse a pessoa que me completaria em meio à minha confusão.
Envolta nesses pensamentos e imersa nas dúvidas, vivi meus dias alimentando a necessidade de me sentir amada. Eu admirava os relacionamentos longos e duradouros e sonhava com o dia em que eu viveria isso também. 
Mas havia um detalhe do qual eu não sabia e que tive que aprender com a dor das feridas que minhas experiências me causaram: eu não preciso de alguém pra me completar. Eu já sou completa. Meus sonhos, meus medos, minhas conquistas, são parte daquilo que sou. Minha essência me define. E foi aí que eu decidi que não quero ser simplesmente uma metade ambulante andando por aí à procura de alguém que preencha o espaço vazio. Eu vou me completar lutando pelo que quero, cultivando minhas amizades, cuidando da minha alma, aprendendo a amar a vida que tenho. Eu vou correr atrás dos meus sonhos, aprender a amar a mim e às as oportunidade que a vida me dá de ser feliz. E assim, me amando por inteira, um dia por acaso posso esbarrar com alguém com quem eu queira caminhar de mãos dadas por um caminho talvez estreito, de terreno irregular, com muitos buracos. Mas será alguém com quem valerá a pena sofrer a dura subida e comemorar a chegada. 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

SOMOS INSTANTES



Hoje pode ser o último dia da sua vida. Hoje pode ser sua última oportunidade pra fazer tudo aquilo que te faz bem, porque o amanhã não te pertence. Este pode ser seu último sorriso, sua última piada, seu último abraço, seu último beijo. Você pode não ter outra chance de gritar, de correr, de realizar seus sonhos, ou até mesmo sonhar.
Cada segundo pode ser o último para pedir perdão e reconhecer que estava errado ou perdoar e perceber que o erro dos outros muitas vezes é só a maior prova de que se é humano.
Cada batida do seu coração pode estar ditando o ritmo da despedida. 
Mas isso não tem que ser visto com tanto pessimismo. O que se tem a fazer é aproveitar as últimas oportunidades, viver tudo com intensidade, provar aquilo que se tem vontade. Lembre-se daquele amigo que sempre disse que é melhor se arrepender do que foi feito e saiba que ele tinha razão. É muito mais fácil lidar com o fato de que um erro foi cometido e aprender com ele do que passar o resto dos dias se perguntando como seria ter saído com aquele cara naquele dia, puxado conversa com aquela garota nova da turma, comido aquele prato estranho na viagem pela América Latina, quebrado a dieta no dia do aniversário da sua tia... 
Meu sábio pai sempre me disse que a oportunidade é um cavalo selado passando devagar ao nosso lado. Temos duas escolhas: ou montamos e aproveitamos a viagem, ou deixamos ele passar, até que esteja bem longe, inalcançável.
Então, se existe algo que eu aprendi durante esta curta trajetória neste mundo, é: somos instantes, então vamos vivê-los, porque eles podem ser os últimos.