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terça-feira, 14 de abril de 2015

O ASSALTO


Eles chegaram juntos com máscaras no rosto mas consegui reconhecê-los. Um era o Medo, velho conhecido meu que costumava ser um amigo íntimo num passado não muito distante. O outro era a Desconfiança, a quem fui apresentada há pouco tempo, depois de tanto me decepcionar com as pessoas com quem convivia. Não sei como eles se conheceram, mas imagino que o Medo tenha se revoltado - depois que me afastei quando conheci a Coragem - e se aliado à Desconfiança em algum plano vingativo.

Eu estava sozinha numa noite de inverno. Os flocos de neve começavam a cair, deixando as ruas brancas sob a Lua num contraste intenso com o céu negro. A dupla mascarada me abordou e me rendeu. Diante do seu pedido, as lágrimas inundaram meu rosto num ato de desespero. 

Eu daria tudo que pedissem. O carro, ainda com várias prestações pendentes, a casa, a senha da poupança. Daria minhas joias e meu porquinho, onde juntei todas as minhas moedas por um ano inteiro. Daria minhas roupas e meus sapatos de grife. Mas eles não queriam nada disso. Eles queriam meu bem mais valioso naquele momento da vida: minha Fé. Mas sem ela, nada mais faria sentido. A Fé era a razão pela qual eu ainda não havia desistido de mim nem da humanidade.